Victor Neri diz que novidade ajudou na disciplina e no
comprometimento. Professor adota sarau, filmes e outras novidades para
conquistar turmas.
“Alunos do 3º ano, não se esqueçam de trazer o celular para
a aula de sociologia.” O aparelho, que costuma ser combatido nos colégios por
distrair os estudantes, ganhou um papel importante na Escola Estadual Dr.
Joaquim Silvado, na Vila Zatt, zona norte de São Paulo.
O pedido para que os alunos levassem o celular foi postado
no Facebook da instituição de ensino. A ideia, elaborada pelo professor Victor
Neri, era usar o aplicativo G1 Enem em uma aula especial para estimular o
estudo de forma dinâmica.
“A escola liberou o acesso à internet e pudemos, assim,
brincar com o jogo de perguntas e respostas”, afirma Neri, que também ensina
história e filosofia a 22 turmas.
Ele organizou uma competição entre os estudantes: contou
quantos pontos cada um deles conseguiu fazer em uma aula. Para ensinar
conteúdos a partir do aplicativo, Neri conectou seu celular ao projetor, para
que as questões fossem mostradas na lousa, em tamanho maior. Em seguida, os
alunos respondiam em voz alta, juntos, qual alternativa acreditavam ser a
correta.
Para Neri, o uso da tecnologia em sala de aula ajuda a
envolver os alunos. “Percebi que, no dia em que jogamos com o aplicativo, o
índice de faltas foi bem menor nos terceiros anos”, conta.
Ele também afirma que a indisciplina foi reduzida. “Uma das
turmas, que tem questões de comportamento mais difíceis, se desenvolveu melhor
no dia.”
Depois de usarem o app G1 Enem pela manhã, durante a aula,
os alunos da escola estadual passaram a disputar partidas entre eles, sem
intermédio do professor. “Andei pelo corredor e vi vários jogando. Eles me
disseram que ficaram viciados”, brinca Neri.
Aulas diferentes
O uso do aplicativo não foi a primeira aula criativa do professor. Ele costuma usar músicas, quiz e filmes para tornar o aprendizado mais descontraído. Em outubro, Neri distribuiu aos alunos cartilhas sobre direitos humanos. No fim do mês, haverá o sarau sociológico: os estudantes apresentarão peças de teatro e canções relacionadas ao Estatuto do Idoso, aos direitos da mulher, entre outros temas.
As aulas com dinâmica diferente ocorrem na sala de leitura, que tem mesas grandes e traz mais informalidade. “Isso faz com que os alunos participem mais”, diz Neri.
Como faltam poucos dias até o Enem, o professor percebeu que as turmas estão mais ansiosas. Mas acredita que, com o uso da arte e de jogos, todos consigam se concentrar mais.
Neri acompanha os estudantes no processo inteiro – todo ano, ele presta o Enem e depois estuda o que caiu no exame. “É uma experiência que passo para as classes seguintes. Quero estar junto com meus alunos sempre”, diz.